Paulo disse: “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio”. De igual modo, em 11 Coríntios 14.34, ele acrescentou: “conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina” (cf. 1 Pe 3.5-6). Isso não proíbe o ministério das mulheres, e não degrada a personalidade delas?

De forma nenhuma. Quando devidamente compreendidas em seu contexto, essas e muitas outras passagens na Bíblia exaltam o papel da mulher e lhes dão um tremendo ministério no Corpo de Cristo Temos de ter em mente várias coisas concernentes a essa questão do papel da mulher na igreja.

Primeiro, a Bíblia declara que as mulheres, tal como os homens, são imagem de Deus (Gn 1.27). Isto é, elas estão em igualdade com os homens por natureza. Não há nenhuma diferença essencial – tanto o macho como a fêmea são igualmente seres humanos por criação.

Segundo, o homem e a mulher são iguais por redenção. Ambos têm o mesmo Senhor e partilham exatamente da mesma salvação. Pois em Cristo “não pode haver… nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gl 3.28).

Terceiro, não há distinção de sexo nos dons ministeriais apresenta-d is na Bíblia. Ela não diz: “dom de ensino: para homens; dom de socorros: para mulheres”. Em outras palavras, as mulheres têm os mesmos dons que os homens têm para ministrar no Corpo de Cristo.

Quarto, por toda a Bíblia, Deus deu dons, abençoou e usou muito as mulheres no ministério. Isso inclui Miriã, a primeira ministra de música (i ix 15.20); Débora (Jz 4.4); Hulda, a profetiza (2 Cr 34.22); Ana, a profetiza (Lc 2.36); Priscila, uma professora da Bíblia (At 18.26); e Febe, a diaconisa (Rm 16.1).

Quinto, Jesus teve muitas mulheres que o assistiram em seu ministério (cf. Lc 23:49; Jo 11). Com efeito, é bastante significativo, naquela cultura patriarcal, ter Jesus escolhido mulheres em suas duas primeiras aparições depois da ressurreição (Mt 28.1-10; Jo 20.10-18). Nisso o apóstolo Pedro ficou em terceiro lugar! (1 Co 15.5).

Sexto, seja o que for que o apóstolo Paulo tenha querido dizer com a frase “que a mulher… esteja… em silêncio”, é certo que ele não queria dizer que elas não devessem ter ministério algum na Igreja. Isso é claro por várias razões. Antes de mais nada, numa mesma carta (1 Coríntios), Paulo instruiu as mulheres sobre como elas deveriam orar e profetizar na igreja, a saber, de maneira ordeira e decente (cf. 11.5). Também, ele disse que em certos momentos todos os homens deveriam permanecer em silêncio, da mesma forma, ou seja, quando outra pessoa estivesse ministrando a palavra de Deus (cf. 14.28). Finalmente, Paulo não hesitou em usar mulheres para assisti-lo em seu ministério, como fica evidente por ter ele dado a Febe o importante encargo de levar até o seu destino a grande epístola aos Romanos (Rm 16.1).

Sétimo, quando entendidas em seu contexto, as passagens “do silêncio feminino” não estão negando o ministério das mulheres, mas estão limitando a autoridade delas. Paulo afirma que as mulheres não devem ter “autoridade sobre o homem” (1 Tm 2.12, NVI). De igual modo, depois de sua exortação às mulheres de permanecerem caladas (1 Co 14.34), ele as lembra de permanecerem “submissas”. É claro, os homens também estavam debaixo de uma autoridade, e tinham de se submeter à supremacia de Cristo sobre eles (1 Co 11.3). De fato, a prova cabal de que não há nada de degradante em se estar submisso a alguém é que Cristo, que foi Deus em carne humana, sempre é submisso ao Pai, tanto na terra (Fp 2.5-8) como no céu (1 Co 15.28).

É também evidente que a supremacia e liderança do homem não é simplesmente uma questão cultural devido ao fato de se basear na própria ordem da criação (1 Co 11:9; 1 Tm 2:13). Assim, os oficiais da Igreja devem ser homens, cada um sendo “esposo de uma só mulher” (1 Tm 3:2). Isso, contudo, de forma alguma desmerece ou diminui o papel das mulheres, tanto no âmbito familiar como na Igreja. O fato de os homens não poderem dar à luz a bebês não os desmerece em sua humanidade nem no que diz respeito ao papel que exercem na família, apenas Deus não lhes preconizou tal função, mas sim outras.

Oitavo, Deus deu às mulheres uma gloriosa função, tanto pela ordem de criação como pela redenção. Primeiramente, Eva não foi criada do pé de Adão, para ser por ele pisada, nem de sua cabeça, para governar sobre ele, mas sim do seu lado, para estar em igualdade com ele e ser-lhe companheira (cf. Gn 2.19-25). Além disso, todo homem foi gerado no ventre de uma mulher (1 Co 11.12), e assim a grande maioria dos homens foi nutrida por uma mulher quando eram bebês, crianças, jovens, até a idade adulta. Adicionalmente, quando Deus escolheu o vaso mediante o qual ele próprio se fez carne (Jo 1.14), não foi pela direta criação de um corpo (como no caso de Adão), nem por assumir uma fo ma visível (como o anjo do Senhor), nem por fazer um clone de um homem; não, foi por meio de uma concepção milagrosa, levada até o fim da gestação no ventre de uma mulher, a abençoada virgem Maria (Mt 1.20-21; Gl 4.4).

Quanto ao processo do nascimento e da nutrição, Deus dotou a mulher com o papel mais maravilhoso, o de gerar todos os seres humanos, homens incluídos, e os alimentar, no momento mais delicado e sensível da suas vidas, tanto antes como depois do nascimento (cf. SI 139.13-18).

Finalmente, na Igreja, Deus fez com que as mulheres viessem a ser, com os demais, “um em Cristo Jesus” (Gl 3.28), e concedeu a elas os dons do Espírito (1 Co 12; 14; Rm 12), mediante os quais elas podem edificar o corpo de Cristo. Entre esses dons acham-se o da profecia (cf. At 2.17-ld; 21.9) e o do ensino (At 18.26; Tt 2.4).



(Extraído do Manual Popular de Duvidas Enigmas e "Contradições" da Bíblia)

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