Jesus caminhava e multidões o acompanhavam. Pessoas com personalidades, objetivos e ideais diferentes. Conhecendo o coração de cada um, Jesus lhes propunha parábolas sobre diversos temas, para que os que compreendessem fossem edificados. A parábola do fariseu e do publicano aborda especificamente o ato da oração, mas a questão que Jesus realmente quer nos revelar é mais ampla: como temos nos apresentado diante de Deus?

Mas antes, vejamos um breve histórico dos personagens.

Os fariseus

No período inter-testamentário, a crença israelita se dividiu em diversas seitas, como os fariseus, saduceus, essênios, zelotes. Do ponto de vista religioso, os fariseus tem diversas características positivas, como crer na ressurreição e em observar atentamente a lei.

Fariseu significa “separado” e a separação física era um parâmetro importante para eles, por isso “praticar a santidade” era uma evidência de pessoa piedosa. Por isso, os fariseus se empenhavam em denunciar os pecados alheios e em contrapartida propagavam as leis como sendo os únicos detentores da verdade e de como aplicar a lei. Eles começaram a acrescentar regras, regulamentos e padrões à lei, ao ponto de acreditar que essas regras faziam parte da própria Escritura.

Contudo eles eram muito bem vistos pela sociedade judaica, que os consideravam justos e corretos.

Os publicanos

Os publicanos talvez fossem as pessoas menos respeitadas da sociedade. Eram judeus escolhidos pelo Império Romano para cobrar impostos do povo e por isso eram vistos como traidores. De fato, muitos publicanos utilizavam sua posição para enriquecer ilicitamente, como no caso de Zaqueu.

 A conduta

(Mateus 6. 1-11) A postura inicial do fariseu já diz muita coisa sobre seu caráter. Ele se postava em pé, sem nenhuma reverência a Deus, provavelmente estufando o peito e orava para si mesmo! Em algumas traduções temos escrito “orava de si para si”. Ou seja, apesar de começar sua oração pronunciando o nome de Deus, ele não estava dirigindo suas palavras ao nosso Senhor. Aquela cena não passou de um monólogo, onde sua oração não passou do teto do templo e o único obejtivo era se auto-proclamar justo e se vangloriar de seus feitos.

(Tiago 4.6-12) Do outro lado temos o publicano, que de longe sequer ousava olhar para os céus, num sinal de humildade, e batia no peito. Na cultura judaica, bater no peito era um sinal externo de demonstrar a dor na sua alma. Ele reconhecia sua natureza pecaminosa e estava angustiado por isso.

O que foi dito

O fariseu começa fazendo uma comparação com o resto da humanidade – “…não sou como os demais homens” – e um julgamento do publicano. Ele se considerava melhor que qualquer homem na face da terra! O apóstolo Paulo, que foi fariseu e conhecia muito bem este modo de pensar, é bem contundente em repreender esta atitude na epístola aos Romanos:
Romanos 2.1 “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas.”

O publicano, ao contrário, pede auxílio ao pecador, que era ele mesmo. Sua frase é curta e direta. “Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!” Interessante notarmos o “O” antes da palavra pecador. Isso não dá abertura para pensarmos que ele se comparava a outro pecador, mas simplesmente assumia sua posição de pecador.

O fariseu continua se vangloriando de seus feitos. “Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho.” No capítulo 23 de Mateus, Jesus dedica um bom tempo para falar sobre esta postura dos fariseus.

O publicano não fala sobre seus feitos, pois reconhece que não pode fazer nada para ser salvo. “Sê propício a mim”. Jesus foi nossa propiciação na cruz. Propiciação significa “ato realizado para aplacar a ira de Deus, de modo a ser satisfeita a sua santidade e a sua justiça, tendo como resultado o perdão do pecado e a restauração do pecador à comunhão com Deus”. No AT a propiciação era realizada por meio dos sacrifícios, os quais se tornaram desnecessários com a vinda de Cristo, que se ofereceu como sacrifício em lugar dos pecadores {#Êx 32.30; Rm 3.25; 1Jo 2.2}. O sangue de Jesus aplacou a ira de Deus que pesava sobre nós, ou seja, nos tornou favoráveis e, com isso, nos redimiu (salvou, livrou) dos pecados.

Por fim Jesus declara: “Digo-vos que este (o publicano) desceu justificado para sua casa. Pois todo o que se exalta será humilhado, e todo o que se humilha será exaltado.” O publicano era rejeitado pela sociedade, porém seu coração estava arrependido e sua fé estava firmada no Deus vivo e verdadeiro como único modo de obter a redenção de seus pecados. O fariseu, que era o “maioral” dos judeus, mas sua fé estava baseada nas suas próprias obras, nos seus próprios méritos.

Paulo é bem claro quanto a isso:

Romanos 3.21-24

21  Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas;
22 justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção,
23  pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,
24  sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.

E você, como tem se apresentado diante do Deus vivo e verdadeiro? Confiando nas suas ações e no seu conhecimento? Ou temos nos humilhado e reconhecido que nenhum fator externo, que o homem possa ver, irá servir de justificativa para nossa salvação?!

Tenhamos sempre em mente que Deus vê nosso coração! Se não estivermos arrependidos de nossos erros, de nada adiantará irmos ao culto, cantarmos, lermos a bíblia, tudo terá sido em vão. Somente com nossos corações contritos e confiando nos méritos de Cristo, temos a ousadia e o privilégio de nos achegarmos a Deus e recebermos uma vida plena, que Deus graciosamente nos dá.


Felipe S. Cangussu
Igreja Presbiteriana de Vila Gerti    

Fonte: http://umpipvg.wordpress.com/

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