Certa senhora comentou o seguinte, num site da internet:

“Irmãos, [...] eu não vejo mal algum na unção do riso, pois já a senti. Muitos a criticam, como também já a critiquei uma vez, mas hoje, depois que passei por essa experiência com Deus, eu posso verdadeiramente afirmar que é TREMENDO!!!! E se verdadeiramente é unção, provém do Espírito santo, e negando-a, ou até mesmo chamando-a de “PALHAÇADA”, estamos blasfemando contra Ele.”

Não se pretende aqui tecer julgamentos, muito menos desqualificar de não-convertidos pessoas que afirmam receber essa unção. Todavia, precisamos defender a Palavra de Deus contra todos os ensinos e práticas sem base bíblica.

Unção do Riso – Suas Origens

A unção do riso, também chamada de “bênção de Toronto”, “gargalhada sagrada” ou “unção de Isaque” não tem nenhuma básica bíblica. Tais manifestações estranhas às Escrituras Sagradas tornaram-se mais conhecidas, pois a erupção destas ocorreu na Igreja Vineyard, do Aeroporto de Toronto, Canadá. Nada de novo no mundo religioso, pois os Hindus praticam isso há mais tempo. De acordo com o site http://www.nccg.org/042Art-Laughing.html, há 37 clubes do riso só em Bombay, Índia praticando essas gargalhadas. O modo como começam os risos ali são bem parecidos com o modo como os neopentecostais e até os pentecostais iniciam as gargalhadas – tudo resultado de uma indução a um estado de relaxamento.

Há alguns relatos da tal unção do riso já 1933, em escala, bem pequena e nas Igrejas de Kenneth Hagin (1992) e de Kathryn Kuhlman, mas os cristãos que propagaram, no meio evangélico, a “Bênção de Toronto” foi Rodney Howard-Browne, na década de 90, mais precisamente a partir de Janeiro de 1994 e John Wimber. Não demorou muito para que chegasse ao Brasil, evidentemente. Tal “unção” é praticada aqui no Brasil e no mundo por grupos pentecostais e neopentecostais, e também carismáticos.

Como acontece o fenômeno

Na maioria das vezes, as pessoas sentadas sentem-se relaxadas e de deslizam com as costas nas cadeiras, ficando como que em posição de alguém que está bêbado, quase que caindo da cadeira. Outras, caem no chão, e de repente o riso se torna incontrolável. Num vídeo de Rodney Howard-Browne, chamado The Coming Revival, ele relata que um homem permaneceu rindo por três dias. Outras vezes, relata-se que pessoas debaixo dessa suposta unção emitem sons de animais, do tipo miados, uivos, latidos, rugidos, e quando no chão, se comportam com se fossem certos animais, como cobras, leões, e outros. Tudo isso acompanha a “unção” do riso. Imagine se o apóstolo Paulo fosse ressuscitado em nossos dias observasse esse zoológico dentro das igrejas! Será que ele se comportaria de tal forma? Consegue imaginar Paulo rindo dessa forma, e ainda por cima latindo como um cachorrinho? Dois textos das cartas de Paulo podem ser citados para responder a essas perguntas:

1 Coríntios 14:20 – “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.”

Efésios 4:14 – “Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”.

Meninos, aqui, nos lembra a carta aos Hebreus, quando o escritor fala sobre aqueles que já deviam ser instrutores, pelo tempo de conversão, mas por não desfrutarem do alimento sólido da Palavra de Deus, contentam-se com o “leitinho” da Bíblia. (Hebreus 5:13, 14) O resultado de uma mente de um convertido sem conhecimento bíblico é agir sempre como criança, ou como imaturos.

Por que não tem base bíblica?

Os que estão sob a chamada “unção do riso” vivem buscando nas Escrituras Sagradas, a todo custo, base para tal manifestação. Mas o próprio John Wimber admitiu: “Penso que esse tipo de coisa deve ser colocado na categoria do não-bíblico e do exótico.” Vejam como essas pessoas carecem de conhecimento bíblico, e nos fazem dar verdadeiras gargalhadas deles:

Isaías 5:29 – “O seu rugido é como o do leão; rugem como filhos de leão, e, rosnando, arrebatam a presa, e a levam, e não há quem a livre.”

Comentário - Usar um texto bíblico escrito 700 anos antes de Pentecostes do ano 33 d.C. para justificar um fenômeno pentecostal é no mínimo hilário. Isso sim nos faz rir. E pior! O contexto mostra que esse rugido não é do povo de Deus, Israel, mas dos babilônios, que atacariam Israel e os levariam cativos para Babilônia. Por isso, levariam a presa e não haveria quem os livrasse. Trata-se, portanto, de uma metáfora. Se esses irmãos criancinhas na fé levarem ao pé da letra essas matároras, então terão que aprender a voar, conforme Isaías 40:31, onde lemos que “sobem com asas como águias”.

Gênesis 18:12 – “Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo consigo mesma: Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?”

Comentário – Novamente, um texto anacrônico ao fenômeno de Pentecostes de 33 d. C.. Mas se Sara riu no íntimo, então, existe a “unção de Isaque”, pois o nome do filho de Sara foi Isaque, o qual significa “riso” em hebraico. Entretanto, esse riso dado por Sara foi uma manifestação do Espírito Santo nela, ou quem sabe uma unção? Não, mas foi uma reação de incredulidade, quando soube que embora velha daria à luz um filho. Tanto é verdade que Deus diz no versículo 14: “Acaso, para o SENHOR há coisa demasiadamente difícil?”

Salmo 126:1, 2 – “Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles.”

Comentário - Será que a expressão “ficamos como quem sonha” indica uma unção que justifica a “unção do riso”? Quem sonha está dormindo, e quem ri enquanto sonha não tem consciência do que ocorre. Mas nas manifestações pentecostais do primeiro século, os que recebiam as maravilhas do Espírito Santo sabiam o que estava se passando. Quanto à expressão “nossa boca se encheu de riso”, em parte alguma lemos que foi uma unção, mas uma reação natural de um povo, os israelitas, que haviam sido libertos do cativeiro babilônico.

Provérbios 17:22 – “O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos.”

Comentário – Onde está a unção do riso aqui? Pelo que sabemos, tal manifestação estapafúrdia ocorre nos templos, em determinadas ocasiões. Entretanto, Provérbios 17:22 refere-se ao coração sempre está alegre como remédio para nosso corpo. Não precisa nem ser cristão para se saber disso. Há budistas, hindus, ateus que pensam positivamente, são pessoas alegres, e isso resulta-lhes em benefícios para a saúde.

Eclesiastes 3:4 – “Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria.”

Comentário - Se as expressões “tempo de rir” e “tempo de saltar de alegria” são indicativos da “unção do riso”, então deveria haver, de acordo com o contexto a “unção de prantear”, “unção de matar”, “unção de aborrecer”, “unção de guerrear”, etc. (Veja Eclesiastes 3:1-7) Que infantilidade de nossos irmãos pentecostais e neopentecostais, praticantes dessa aberração da fé isenta de conhecimento bíblico.

João 17:13 – “Mas, agora, vou para junto de ti e isto falo no mundo para que eles tenham o meu gozo completo em si mesmos.”

Comentário - A palavra grega para “gozo” usada aqui é “khara”, e significa “alegria, satisfação”, conforme a Concordância de Strong de Palavras do Novo Testamento (palavra número <5479>). Realmente, todo o cristão sente essa alegria que vem do Espírito Santo (Gálatas 5:19-21). Essa mesma alegria “khara” é usada por Tiago (1:2) da seguinte maneira: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações.” Trata-se de uma alegria interior, que nos ajuda a perseverar. Não vemos um caso no Novo Testamento de cristãos rindo da forma como observamos essa “molecada” de crentes fazer.

Filipenses 4:4 – “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.”

Comentário - Da mesma raiz de “khara”, mencionado acima, há aqui usado por Paulo o verbo grego “khairo”, que significa alegrar-se muito. Paulo não se referia às risadas sem controle nos cultos cristãos, mas à alegria no Senhor, que encobre e vive no crente todos os dias. E no contexto, era a alegria no Senhor que deveria motivar os cristãos em Filipos a vencer os problemas de relacionamento entre cristãos, como os de Evódia e Síntique.

Por que essas manifestações ocorrem?

No meu ponto de vista, trata-se de mera infantilidade, ou imaturidade. Por não conhecerem a Palavra de Deus e buscarem desesperadamente por “sinais visíveis de Deus” para se apegarem (pois precisam ver para crer), deixam-se levar por líderes que gostam de aparecer, impactar a opinião pública. Eles sempre surgem com práticas e modismos novos. Fazem o que podem para manter seu rol de membros crescendo. Eles põem a pique os incautos facilmente, pois sabem, com palavras bem elaboradas, induzir pessoas a pensar e reagir como eles querem. Todavia, não podemos descartar a ação do grande inimigo da Igreja de Jesus, Satanás, junto com seus demônios. O que eles desejam é causar confusão e desordem entre o povo de Deus que, em muitos casos, sofre por falta de conhecimento.

Enquanto muitos se deixam levar por erros de interpretação bíblica, há cristãos comprometidos com a Palavra de Deus, e que buscam nela o modo correto de agir dentro e fora dos templos. Esperamos que você tenha experiências maravilhosas com o Deus Verdadeiro – Pai, Filho e Espírito Santo, mas que todas elas sejam frutos do propósito deste Deus em sua vida. Jamais tente usar sua experiência como uma prova divina para um novo modismo. Antes, pergunte-se: Aquilo que vejo ocorrer em minha igreja é bíblico?

Fonte: http://www.ia-cs.com/

1 comentários:

  1. Parabéns pelo blog. Que a potente mão do Senhor esteja contigo !!!

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