“Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o povo para ver o que sucedera.
Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram.” (Marcos 5.14,15)

Os milagres de nosso bendito Senhor eram certamente destinados, em primeira instância, para atestar a veracidade de sua missão divina; através da qual ele mesmo frequentemente lhes apelava. Todavia eles também tencionavam obscurecer os benefícios que ele estava conferindo às almas dos homens. Em ambos pontos de vista o milagre diante de nós é merecedor da consideração mais atenta. É verdade que os infiéis têm tentado reduzir este milagre a uma mera cura de uma epilepsia. Mas é evidente que os demônios foram expulsos dele pelo poder de nosso Senhor, pois foi por eles que a manada de porcos foi impelida a correr para o mar. Um único homem, ou dois homens (conforme Mateus nos diz que havia dois, apesar de Marcos ter registrado apenas a libertação de um), não poderia dirigir dois mil suínos para o mar, que era o número deste rebanho (v. 13); e esta destruição consequente dos porcos em razão da expulsão dos demônios do pobre endemoninhado, mostrou quão grande livramento tinha sido feito para ele, e como todas as hostes do inferno estavam sujeitas completamente ao controle de nosso bendito Senhor.

Para entender estes eventos corretamente, devemos considerá-los,

I. Tal como ocorreu naquela ocasião.

Notamos,

1. O milagre operado.

Satanás naquela época tinha grande poder sobre os corpos dos homens; e uma “legião” de demônios tinha ocupado aquele pobre infeliz, a quem eles dotaram de uma força totalmente sobrenatural, de sorte que nem correntes ou grilhões poderiam prendê-lo. Mas, ao comando de Jesus eles deixaram o seu prisioneiro em perfeita liberdade. Temendo que Jesus os enviaria imediatamente para o abismo do inferno, que é, e para sempre será, sua morada apropriada, os demônios solicitaram permissão para entrarem na manada de porcos, e, tendo ganho a permissão do Senhor, instigaram toda a manada a correr para dentro do mar, onde foram todos destruídos. Provavelmente os demônios esperavam com isso indispor os donos dos porcos contra o Senhor Jesus, e nisto eles conseguiram o que desejaram.

2. Os efeitos produzidos.

O efeito sobre a gadarenos, que perderam o rebanho, foi o de torná-los todos, mesmo toda a cidade, ansiosos, para que nosso Senhor deixasse tanto o local quanto as suas cercanias. Alguém teria suposto que de fato a misericórdia concedida ao endemoninhado devesse fazer os gadarenos mais ansiosos para reter nosso Senhor entre eles, para que pudessem obter semelhantes misericórdias de suas mãos; mas uma preocupação para com seus interesses temporais suplantou qualquer outra consideração, e os uniu a todos em um único pedido: que Jesus “se retirasse dos seus termos”.

Mas quão diferente foi o efeito sobre o homem a quem Jesus tinha livrado! Ele seguiu Jesus ao barco, e lhe pediu que permitisse ser seu seguidor. E, quando Jesus, por sábias e graciosas razões, lho proibiu, disse-lhe, que fosse para casa, para seus amigos e parentes, e lhes dissesse que Deus teve misericórdia dele, e ele foi para casa, e com fidelidade e gratidão proclamou a todos ao seu redor os benefícios que ele tinha recebido de seu adorável Benfeitor.

Mas, para não me debruçar sobre os acontecimentos que, então, tomaram lugar, desejo que você os visualizasse mais particularmente,

II. Como sendo ainda renovadas diariamente diante de nossos olhos essas coisas que podem ser bem certas:

1. Satanás ainda tem poder mais terrível sobre os homens.

Ele já não, eu entendo, possui, como antes, os corpos dos homens; desde que foi despojado com todos os demônios na cruz, mas ele não tem nem um pouco menos de influência do que tinha sobre suas almas. Veja a que extensão toda a raça humana é sujeitada ao seu controle. Todos os homens sem exceção se levantaram em rebelião contra Deus. Nem se submeterão a qualquer restrição, quer da razão ou da consciência. Cada um segue sua própria vontade e seu próprio caminho, mesmo para o grande prejuízo de todos ao seu redor, e para a certeza da destruição de sua própria alma. Diga aos homens sobre a sua responsabilidade para com Deus, e dos terrores que os esperam no mundo eterno, e dirão, como os demônios neste pobre endemoninhado: “O que temos a ver com essas coisas?” ou como Faraó: “Quem é o Senhor, para que o sirvamos? Não conhecemos o Senhor, nem obedeceremos a sua voz.” Nem mesmo este pobre endemoninhado agiu da forma insana que geralmente fazem os que se encontram ao nosso redor: ele feriu o seu corpo, mas estes, por tudo o que eles fazem, ferem e destroem as suas almas imortais; tanto isto é verdade que é visto na declaração de Salomão, ” também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos…”, Ec 9.3. E tudo isso é por instigação do diabo, que é “o deus deste mundo”, 2 Cor 4.4, e “opera em todas os filhos da desobediência.”, Ef 2.2.

2. Mas Jesus ainda exerce o mesmo soberano poder sobre ele.

Verdadeiramente a palavra do Senhor é ainda viva e eficaz, nem pode todos os poderes do inferno resistir à mesma. Nós vemos o efeito, tão visível como jamais os gadarenos viram, da palavra prevalecendo na ministração do Evangelho. Não há mesmo aqui alguém presente que tenha passado da morte para vida, e que tenha sido transportado do poder das trevas para o reino do Filho amado de Deus? O Filho Pródigo nos mostra que mudança ocorre na alma, quando, uma vez é habilitada a se livrar do laço do diabo, e afirmar a sua liberdade. E se nele vemos toda a loucura de uma vida passada sob a influência do diabo, e todo a bem-aventurança de uma vida consagrada ao serviço do Altíssimo, então podemos ver o mesmo em muitos, eu creio, entre nós mesmos, que, pelo evangelho pregado, “foram transportados das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus”, Atos 26.18.

3. Mas ainda existe a mesma inimizade contra o Salvador nos corações dos homens ímpios.

Quando o poder da graça divina é visto na libertação dos pecadores dos laços de Satanás, deveríamos naturalmente supor que todos os que veem a mudança deveriam se alegrar com isto, e terem o desejo de se tornarem participantes dos mesmos benefícios. Mas o que é muito o contrário disso é encontrado na verdade em todos os lugares, e, como na passagem diante de nós, uma oposição ao Salvador é levantada, e pessoas de todos os tipos se unem num desejo de expulsá-lo. Nisto, Herodes e Pôncio Pilatos se unirão; nisto judeus e gentios concordarão; nisto “mulheres devotadas” serão achadas unidas a “homens perversos e vadios”; o desejo de todas as categorias e ordens de homens ímpios estão em perfeita harmonia sobre este assunto, todos eles exclamam à uma voz: “Apartai-vos de nós, não desejamos o conhecimento dos teus caminhos.”

4. No entanto, ainda por parte daqueles que têm experimentado os benefícios da sua salvação, existe o desejo de glorificar o seu nome.

Comungar com o Salvador, desfrutar de sua presença, cumprir a sua vontade completamente e obter as comunicações mais ricas de sua graça, são os principais desejos de todos os que foram libertados por ele do poder do diabo. Qualquer que seja a sua situação na vida, eles serão “como luzes num mundo de trevas”, e será assim feito que “a sua luz brilhe diante dos homens, para que todos que a vejam glorifiquem o nome de Jesus.” Eles se sentem compromissados a se levantarem como suas testemunhas, de que ele é “o homem mais forte, o único que pode amarrar o valente armado”, e livrar de suas amarras os vassalos que foram feitos cativos à sua vontade. Com um sentimento de gratidão ao seu celeste Benfeitor, eles irão, como o gadareno que foi libertado, recomendá-lo a todos ao seu redor, dizendo com o salmista: “Vinde, e ouvi, todos que temeis a Deus, e lhes direi o que ele tem feito por minha alma.”


Texto de Charles Simeon, em domínio público, traduzido e adaptado pelo Pr Silvio Dutra.
Extraído do site: http://estudos.gospelmais.com.br/

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